LÍTIO
Patrício Júnior

Espécie: Romance
Ano de publicação: 2005
Formato: 14x21cm
Páginas: 326

Atenção: este livro é contra-indicado para pessoas que vivem num estágio confortável de felicidade apática. Você tem a escolha de não conhecer os dois protagonistas desse romance. Se escolher pelo sim, vai conhecer um homem ácido, multiviciado, perdido. Um homem que não acredita no dia de amanhã. E vai conhecer também uma mulher-limite, uma mulher que pode ser qualquer uma mas é, acima de tudo, ela própria: paranóica, intensa, irreversível.

“Lítio” fala dessas duas pessoas e de uma tentativa de suicídio. Ele e ela são desconhecidos e acabam unidos pela iminente tragédia: ele quer se matar, liga pro Centro de Apoio à Vida, ela o atende. E durante o diálogo, em que confissões vão e vêm pela linha telefônica, Patrício Jr despeja toda a sua ironia sobre assuntos que ama odiar: igreja, família, capitalismo, cultura de massa, hipocrisia, ser humano.

Fodam-se os que me olham nas festas sorrindo da maneira mais hipócrita possível e depois perguntam “Como é que está lá?” sem realmente desejar uma resposta, querendo apenas abrir oportunidades para novos negócios; fodam-se os que não compreendem meus atos e, do alto desta medíocre incompreensão acerca do que foge ao pré-estabelecido, preferem maldizer do que adicionar. Quando chego a um lugar e tenho que dar beijinhos e distribuir atenção e sorrir aos que me sorriem somente com a casca do rosto – deixando o que há por dentro, sob a casca, cinicamente entregue à crítica da minha existência, apontando meus defeitos visíveis e meus defeitos inventados –, quando chego num local assim, não posso negar que minha real vontade é de jogar água nos cabelos armados pelas escovas e chapinhas e laquês, e manchar de ketchup e mostarda e molho tártaro as camisas alvas abotoadas até o pescoço, e arrancar os brincos-candelabro das orelhas daquelas putas profissionais, e escarrar lá dentro da garganta dos que se sentem donos de tudo, do ar, da água, do dinheiro, de mim. Odeio este mundo de fantasia, esta dimensão paralela em que todos são sorridentes e felizes e realizados e bem resolvidos; odeio quando um grupo de pessoas ocas inconscientemente passa a fingir que está dentro de um comercial de bebida alcoólica em que todos riem e se divertem e são extremamente, extremamente mesmo, mais que o normal, além do que se é possível, extremamente felizes. Odeio o resto do mundo.

O AUTOR
Patrício Jr. nasceu em Natal, em 1979. Começou a escrever poemas aos 13 anos e depois, influenciado principalmente por Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e Hilda Hilst, partiu para uma prosa que funde elementos da poesia à narrativa. É um dos fundadores da Editora Jovens Escribas, pelo qual publicou também o livro de contos “A Cega Natureza do Amor“.

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Preço: R$ 30.00